Just another WordPress.com site

Últimas

DOUTOR ENGODO – CURANDEIRO-XUCRO (PARTE 2)

Image

 

*A Parte 1 consta na publicação “Mal-humorados – um guia de conduta para com eles” que você pode encontrar em alguma sobra de estoque em alguma livraria na internet ou, com um pouco mais de sorte, em uma lata de lixo. As duas partes podem ser lidas de maneira independente. Ou algo assim.

 

 

A vida segue abagualada na fronteira. O mundo contemporâneo ainda não chegou por lá e nem se atreve: pouco poder aquisitivo e muito pau-de-fogo disposto a combater a estrangeria.

A fronteira segue como modelo na exportação de carne para o Brasil inteiro e de vigilantes para o restante do estado do Rio Grande do Sul.

Na fronteira, pra quem não sabe, não se tira par ou ímpar: atira-se um contra o outro (disparos de 38, cano curtinho, fabricação argentina) e conta-se os chumbos no corpo de cada baleado.

Quem tomar mais tiros, perde.

 

E é nesta mesma fronteira-oeste – terra em que música norte-americana ou inglesa é proibida nas rádios, que as religiões oficiais são o Brizolismo e o Getulismo e que a população válida está sempre disposta a pegar em armas contra a Côrte – que vive nosso quase célebre personagem: Doutor Engodo, o curandeiro-xucro.

 

Mesmo com a construção de um hospital no “povo” – ou cidade, para os desavisados – a população local não se rende aos sortilégios da medicina moderna. Continua a preferir nosso ilustre especialista em pseudomedicina.

 

- Doutor Engodo, Doutor Engodo!!! Socorro, Doutor Engodo…

- Calma que tô indo – diz nosso herói através da janela, enquanto termina de cevar o mate – Pronto, tô aqui… fala, piá cagado!

- Doutor Engodo, o Terêncio, filho do capataz da fazenda do Coronel Ayala, sabe, aquele que é vaqueano nas lides…

- Sim, sim, sei quem é o guri! Que é que houve? Desembucha logo!

- Doutor, ele caiu do cavalo e tá desacordado lá na fazenda…

- Vou encilhar meu baio e já vou. Avisa lá na fazenda que tô indo e que me esperem com água quente!

- Sim senhor, Doutor Engodo!

 

 

 

O grande xamã continentino encilha seu cavalo baio em poucos minutos e ruma, a trote, para a estância do Coronel Ayala, portando 2 malas de garupa.

Chegando ao local, é recebido com ovação pela plateia presente: 3 peões da estância, 2 guris (um deles o que deu o recado) mais o Coronel Ayala, que está bastante nervoso.

 

- Até que enfim, hombre, hay que morar mais perto de nosotros… moras muy lejos… mas venha, venha, Doutor Engodo… que mi hijo está muy malito

 

Doutor Engodo salta do cavalo e entra na casa do Coronel. Como é antigo “médico” da família, já sabe em que quarto se encontra o rapaz.

 

Nosso mestre das artes medicinais campechanas dá uma olhada no paciente, cutuca-o uma meia dúzia de vezes com o dedo indicador, abre-lhe as pálpebras e anuncia ao dono da casa:

 

- Coronel, o senhor confia na minha pessoa, não confia?

- Claro, hombre, pelos años que é o médico desta família e por nuestra amizade, confio plenamente… mas por que estás a me perguntar eso?

- Por favor, me deixe sozinho com o paciente, feche as janelas e a porta.

- O que for preciso, Doutor. E a água quente…

- Tá na cambona?

- Si...

- Entonce, manda trazer e deixa aqui perto da cama, por obséquio.

- Ahora mesmo, doutor!

- Maria!!!! A cambona aqui pro Doutor!! – berrou o Coronel para a empregada da casa.

 

Feito o processo, nosso experiente clínico do empirismo-guasca certifica-se de que não há viva alma pelas imediações do quarto e posta-se ao lado da cama, de pé.

 

- Tá, Terêncio, deixa de palhaçada e abre o olho!

 

Nada

 

- Deixa de frescura e abre logo esse olho. Só tô eu aqui no quarto!

 

Nada

 

- Tá certo. Eu avisei pra abrir…

 

Um sujeito teimoso pode até ser uma mula, mas um soco no saco é, certamente, o Rei das argumentações.

O paciente não só acorda do sono profundo, como urra de dor em posição fetal.

 

- Pelo visto o amigo está apresentando melhoras… – diz Doutor Engodo, enquanto abre uma das malas de garupa, retirando a cuia com o mate já cevado (embora meio desmoronando) e completa a tarefa servindo-se com a água quente da cambona (cambona, a propósito, é como a própria chaleira é chamada em qualquer lugar ao sul do Brasil em que o acordeón é considerado o único instrumento musical digno de respeito) e sorvendo longo gole de chimarrão.

- Bah, Doutor… precisava bater no meu saco? – gemeu Terêncio

- Não precisaria se tu não tivesses ficado aí, parado, tentando me enganar.

- Mas como o senhor sabia? – perguntou o rapaz, recuperando as forças.

- Vancês guris cagados pensam que a gente mais antiga não sabe das coisas. Faz mais de mês que tô sabendo do teu rabicho com a filha do Geremia… que tuas idas pro povo nunca chegam no povo…

- É verdade, Doutor Engodo – assumiu o rapazola, encabulado – É a mais pura verdade… mas… como o senhor sabia que eu não tinha desmaiado?

- Muito simples, meu amigo. A filha do Geremia é mais rodada que roda de carroça. Semana passada atendi mais dois piás cagados que também andaram frequentando as intimidades da moça. Quando o piá apareceu lá em casa gritando, eu já sabia o que era. Tu és o terceiro que sofre um acidente por esses dias… enfim, bota o pau pra fora que eu só quero ter certeza

 

Completamente sem jeito, nosso galã mostra a ferramenta para o clínico de a cavalo.

 

- É grave doutor?

- Não. Pra tua sorte, não. Tó – diz entregando uma pomada (caseira, claro)

 para o rapaz – passa isso no pau durante 20 dias e depois passa lá em casa pra eu ver como que tá essa machucadura!

- Obrigado, doutor… mas…

- Eu vou dizer pro teu pai que foi um desmaio por conta da queda. Eu só não sei como caíram  nessa história de tombo do cavalo…

- Ué, por que, Doutor Engodo?

- Aquele teu cavalo é um pangaré. Até uma criança monta. Mas também, o que não parece com o dono é roubado. Agora começa a cuidar onde tu enfia isso daí, que na próxima te corto o pau fora! – disse, servindo outra cuia e abrindo a porta com estardalhaço – Indiada! O rapaz tá fora de perigo!

- Gracias, diós… gracias, Doutor Engodo…

- Não é nada, não é nada… – responde nosso doutor, com fingida modéstia.

 

E é por essas e outras que a população jamais se entregará a modismos como hospitais, médicos diplomados que lavam as mãos e remédios fabricados pela indústria farmacêutica.

 

Neste momento, Coronel Ayala, rico estancieiro, passa pessoalmente de casa em casa no povoado.

Está recolhendo assinaturas para mandar ao Vaticano.

 

Quer beatificar o Doutor Engodo.

COMO ENSINAR SOBRE GUERRAS NAS ESCOLAS ATRAVÉS DE MÉTODO POUCO ORTODOXO, PORÉM EFICAZ

Image

 

Guerra! Princípio básico de uma espécie que não conseguiu entender ainda que existem coisas mais interessantes a se fazer numa semana de folga do que atirar uns contra os outros.

O pior é a maneira como se ensina sobre elas nas escolas. Fala-se de datas e lugares longínquos e localizações geográficas duvidosas. Fala-se de motivos escusos, versões revisionistas e mil coisas mais. Ninguém entende porra nenhuma!

 

Eu proponho um método revolucionário para o ensino da história das guerras. Tal sistema é cabível para qualquer embate histórico.

 

Vamos dar como exemplo um arranca-rabo bastante célebre: a II Guerra Mundial.

 

O professor escolhe os dois garotos mais fortes da sala para representarem Alemanha e EUA.

 

Japão, Itália, Grã-Bretanha e URSS devem ser representados por garotos de força ou tamanho mais ou menos equivalentes entre si. Fracotes metidos a brigões representarão aliados subalternos (Brasil, por exemplo). Algum cagão representará a França. Um cagão aproveitador, a Suíça.

 

Divide-se os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão) em um time e os Aliados em outro (EUA, Grã-Bretanha e URSS).

 

O professor deve apitar e mandar a briga generalizada começar. Em um minuto, apitará novamente e dará uma pausa – que simulará a trégua de Natal – de 2 minutos (se alguém continuar socando e chutando após o apito, terá um ponto descontado na nota final).

 

Repita o processo por mais 4 vezes.

 

Na sexta vez, alinhe EUA x Japão. Dê um taco de beisebol para o garoto que representa os EUA. Apite e só interrompa quando o Japão estiver estirado no chão da sala.

Mande o garoto para a enfermaria e reemparelhe a briga generalizada. Mantenha o taco de beisebol com os EUA e adicione à briga os demais aliados (Brasil e todo o resto).

Os dois remanescentes, ao verem uns 6 ou 7 caras – um deles portando um taco de beisebol – provavelmente vão querer dar por encerrada a saudável disputa.

 

O professor dirá que as partes podem negociar.

 

O lado mais forte exigirá ter o lanche pago e os trabalhos feitos (e ai se não ficar bom!) pelos membros do lado mais fraco. O professor deve deixar acontecer, mas no máximo durante 1 mês.

Nos meses seguintes (até o final do ano letivo) o dinheiro do lanche deverá ser repassado diretamente para um fundo que visa a criação de um informativo impresso da turma (o tesoureiro será o aluno que representou a Suíça) que será redigido pelo aluno do taco de beisebol contando a história do dia do embate como bem lhe agradar.

Caso alguém conteste qualquer coisa escrita no informativo, o professor deverá, além de autorizar o aluno a descer o taco no joelho do subversivo, ainda descontar-lhe 1 ponto na nota final, a cada princípio de revolta.

 

E, assim, a aula estará dada.

BRASIL (ESTERIOTIPAÇÃO NACIONAL SUPERIOR)

Image

 

Com o mote (ou qualquer neologismo ridículo em inglês que publicitários utilizem para isso, enquanto se masturbam com uma vela de 7 dias acesa enfiada em suas bundas) de confraternizar os estados brasileiros, famosa companhia de cerveja resolve patrocinar um Reality Show diferente.

Um bar, uma mesa e 26 cadeiras (cada uma representando um estado brasileiro mais o Tetraladado pelo Goiás, vulgo DF). Participantes selecionados, encontro marcado para as oito da noite.

Possibilidades:

1 – O primeiro a chegar é o gaúcho, 15 minutos adiantado e passa o tempo inteiro falando que, com brasileiro, definitivamente, não dá! O carioca é o último, com 3 horas de atraso. O paulista confirmou presença, mas não apareceu.

          O programa é cancelado.    

2- O produtor do Reality Show, paulistano, selecionou apenas um paulista e um travesti para representar o Rio de Janeiro, além de baianos para todo o resto que não fosse o Sul. O representante do Paraná era de Blumenau, o representante do Rio Grande do Sul era de Blumenau. O representante de Santa Catarina era curitibano.

          O programa é cancelado.

          3- Tudo dá certo, todos chegam no horário.

O paulista acha muita graça em citar o fato de o gaúcho estar sentado na ponta da mesa.

O gaúcho retruca que, ao menos, não torce pra um time apelidado de Bambi.

O carioca bota pilha.

O mineiro não entende.

O catarinense (de Blumenau, lógico) começa a ficar impaciente com a demora pra trazerem a cerveja.

O carioca já está no segundo chopp.

Ninguém entende de onde ele tirou o chopp.

O baiano tenta, sob protestos do pessoal do Sul, colocar uma fita de Axé.

O carioca chama o paulista de otário.

O pessoal do Norte e do Nordeste já excluiu o baiano e criou uma comunidade.

O capixaba tenta, em vão, convencer o paulista de que o Espírito Santo não tem nada a ver com a Bahia.

O baiano começa a chamar o pessoal da rua pra entrar e dançar.

O carioca tenta levar uma garçonete para o banheiro masculino.

O paulista conta uma piada de gaúcho e morre de rir. Sozinho.

O pessoal do Norte e Nordeste (menos o baiano, que cria uma subdivisão dentro do grupo) consegue monopolizar o recebimento de cerveja (o garçom é do Maranhão).

O pessoal do Sul não gosta e vai pra outra mesa. Não sem antes criar um hino e uma bandeira…

 

- Corta!

 

Comoção no bar

 

Diretor entra em cena

 

Silêncio

 

Câmeras ligadas, suspense ao vivo para todo o Brasil.

 

Diretor: – Para tudo, gente! Acabaram de me ligar!

Brasiliense: – Não sei de nada!

Diretor: – Esquecemos do Acre!!!!!!!!!

Paulista: – Quem?

 

O programa é cancelado.

 

 

Nota do Redator: não posso deixar de mencionar que a piada sobre a inexistência do Acre é, sem dúvida alguma, uma das 10 grandes razões para que o Brasil seja punido pelo Cosmos com um Grande Dilúvio de Sêmen. Arbeiterpartei!

GIOVANNI PADILHA – ASSESSORIA EM FINANÇAS

Aos quatorze anos era – pensava ser, o que, neste caso, dá na mesma – punk. Aos quinze, começou a deixar o cabelo crescer. Aos dezesseis era metaleiro – fase esta que durou até os dezoito, consolidando a mesma como a mais duradoura de todas. Completou dezenove anos usando coturnos pretos com cadarços brancos e lendo toda a bibliografia do Castan.

Eu disse que era gremista? Pois era gremista.
Isso até os vinte anos, quando o Inter reencontrou o caminho dos títulos e passou a ser muito mais cool torcer pelo colorado.
Não por acaso, nesta mesma época repudiou seus amigos da turma da cabeça raspada e do suspensório branco e virou maconheiro deslumbrado.
Aos vinte e um estava gravando com uma banda de reggae.
Aos vinte e dois ingressou na faculdade de economia. Cortou os dreads do cabelo, passou a tomar banhos em períodos menos espaçados de tempo e comprou uma fatiota por R$299 (incluindo sapato, meias e cinto) em 12x no cartão.
Logo na quarta semana de aula confeccionou um cartão profissional com os seguintes dizeres:

Giovanni Padilha – assessoria em finanças

E é justamente nesta época – aparentemente só mais um embuste e Nova Ordem no sistema aleatório e patético que regia sua personalidade – que, de uma forma completamente improvável e à contramão da lógica, a vida do Giovanni sofreu uma grande guinada.

Uma sexta-feira qualquer, Snooker do Patinho, final de tarde.

- Correto, Giovanni, mas quem é o imbecil que vai pagar pra um doente tipo tu palpitar no dinheiro dele?
- Palpitar não, meu amigo… assessorar…
- Giovanni, tu não consegue nem administrar as tuas calças. Não sabe a diferença entre uma poupança e uma conta corrente comum e duvido muito que saiba, por exemplo, a cotação do dólar paralelo…
- Meu amigo, pois fique você sabendo…
- Tu tá usando “você” nas frases, Giovanni… tu é um boçal…
- Usar “tu” é muito agressivo. Aprendi isso num curso com um cara muito bom de São Paulo… mas o que eu ia dizer é que, como você deve saber, ingressei faz um certo tempo na faculdade de Ciências Econômicas…
- Tu tá no primeiro semestre ainda, Giovanni…
- Eu peço, por favor, que o nobre amigo pare de me interromper. Continuando, eu ingressei nesta faculdade há não muito e tal constatação é factual…
- Factual… alguém me dá um tiro, por favor…
-… mas venho estudando sobre o assunto há muito mais tempo.
- Quanto tempo, Giovanni?
- Uns dois anos.
- Há dois anos atrás tu passava todos os dias da semana bêbado, no bar do tio do Chicão, brincando de conspirar contra negros, judeus, viados e, sei lá onde tu ia encontrar algum por aqui, muçulmanos…
- Não misture as coisas…
-… isso tudo acompanhado de uns caras gordos e com umas tatuagens bem suspeitas…
- … isso faz mais tempo e, mesmo assim, eu sempre me interessei pelo assunto.
- Então tu conspirava contra o sionismo e planejava trabalhar no mundo financeiro… correto. Prometo que deixo tu continuar com isso, só porque quero ver aonde vai dar…
- Embora suas tentativas de me desestabilizar, continuarei explicando, posto que somos amigos. Você não merece, mas somos.
- (…)
- Pois bem… estou montando uma carteira de clientes…
- (gargalhadas) e quantos clientes tem essa tua carteira, Giovanni?
- A questão não é a quantidade, mas a qualidade dos clientes. Procuro somente clientes de bom nível e potencial forte de investimento.
- Quantos clientes, Giovanni?
- Estou começando… você vai ser o primeiro…
- Ah, claro! O otário sou eu!
- Como somos amigos e temos confiança mútua um no outro, você nem precisará me pagar a taxa mensal de assessoria total. Você, como meu cliente número 1, coisa que em alguns poucos meses fará do amigo objeto de inveja dos demais, pagará somente um percentual de seus ganhos, ao invés dos R$250 que estou cobrando…
- DUZENTOS E CINQUENTA REAIS, GIOVANNI??? TU ANDOU CHEIRANDO PÓ COM PÓLVORA DE NOVO???
- Pro seu governo só fiz isso uma vez e foi com dezoito anos. Agora, por favor, escute, que a proposta é para o seu bem.
- Giovanni, nem fudendo… repito, NEM FUDENDO eu vou te dar ouvidos sobre em quê aplicar o pouco dinheiro que tenho na poupança.
- Poupança, hehehe… poupança é coisa do passado…

Neste momento é importante que se preste um esclarecimento: o amigo do nosso herói se chama Silvério Soares, e, embora desconfiasse que Giovanni só era seu amigo por suas iniciais formarem SS, gostava de conversar com o rapaz. Era divertido, e, embora completamente perdido na vida e ex-nazista, incrivelmente não era uma pessoa de má índole. Era apenas mais um imbecil que precisava fazer parte de algo para se sentir amado.
Continuo, pois:

- É mesmo, Giovanni? E o que vossa senhoria acredita ser o lance do futuro?
- O futuro, embora previsível para nós economistas, é assunto para mais tarde. A questão é a aplicação do presente.
- Pois qual seja?
- Nós vamos pegar a sua grana e alavancar umas ações de fundo de rendimento fixo.
- Não, Giovanni, NÓS não vamos nem chegar perto do meu dinheiro. Além do mais, não é muita coisa.
- Preciso fazer uma pergunta. Pode parecer constrangedor, mas nossa relação precisa ser totalmente transparente, posto que serei… SOU o seu assessor financeiro…
- Se isso vai fazer tu parar com isso, eu já respondo porque sei o que é: tenho uns onze mil na poupança. Tô economizando essa grana faz tempo e é pra comprar um carro.
- Eh eh, carro não é investimento. Mas tudo bem, é um erro comum…
- Giovanni, seu corno filho da puta, quem te disse que eu quero fazer um investimento? Eu quero uma condução terrestre, privada e não-coletiva. Só isso.
- Quanto custa o carro?
- O que eu quero custa trinta e cinco paus.
- Com o que você tem agora dá pra chegar neste valor em menos de três anos. Talvez até dois. O negócio paga muito mais do que a poupança e é garantido.
- Giovanni, porque tu não pega o TEU dinheiro e enfia nessa merda se é tão bom?
- Pra começar eu já tenho uma certa quantia aplicada. Infelizmente não conto atualmente com a mesma quantia que o amigo. Mas é aquela coisa: Deus dá asas pra quem não quer voar.
- Deus não tem nada que ver com isso, Giovanni. Quanto dinheiro tu tem aplicado?
- Apliquei três mil, porque era tudo o que eu tinha guardado.
- Há quanto tempo?
- Não faz muito…
- Quanto tempo, Giovanni?
- Uns dois, já.
- Anos?
- Meses.
- Giovanni, como que tu recomenda um negócio que tu nem sabe se funciona direito?
- Tive palestra com uns caras realmente muito bons… uns caras, como diria o amigo, fodas. Uns caras FODAS entendeu? Apresentaram diversos cases de sucesso. A aplicação não tem erro, Soares.
- Soares? Desde quando tu me chama de Soares?
- Ah, é um habito do mundo corporativo. Sabe como é.
- Não, não sei. E olha só, quanto já rendeu a tua grana?
- Trata-se de uma aplicação a longo prazo, então eu tenho por costume checar o extrato somente a cada seis meses.
- Ah, tu tem POR COSTUME fazer isso… ah, esquece. Tá, então faz assim, Giovanni: se daqui a quatro meses isso aí tiver rendido proporcionalmente perto do que tu me disse que rende, eu largo cinco paus na tua mão.
- Na realidade eu não faço a operação, apenas assessoro o cliente, e…
- Que seja! E aí a gente discute a porcentagem.
- Minha porcentagem, pra você que é da casa…
- DA CASA DE QUEM, GIOVANNI?
- … é vinte por cento.
- Te dou dez e não me enche o saco.
- Fechado.

O assunto morreu. Falaram sobre outros assuntos durante alguns minutos e ficou nisso. Pagaram a conta e cada um tomou seu rumo.

Durante meio ano não tiveram contato, por conta destes desencontros da vida pós-moderna nas grandes cidade e falta de tempo e todas aquelas justificativas que só cabem para as pessoas que não fazemos grande questão de ver.
Até que num modorrento, grim and frostbitten final de tarde de inverno acabaram se encontrando, por acaso (ou interferência cósmica – fique com sua teoria), eu um café no centro da cidade.

Giovanni estava de sobretudo e coturnos. Havia cortado o cabelo bem curto e estava junto de outros dois cidadãos trajados se não igualmente, de forma bastante semelhante.

- Bem, é inverno – murmurou Silvério, e se aproximou – Giovanni, isso tudo é frio?
Um pouco constrangido, convidou o amigo a sentar.
- Faz um tempão, hein? – comentou Silvério
- É, é… tempinho mesmo…
- Meio ano mais ou menos, né?
- Já faz tudo isso? Acho que faz menos…
- Já sim. Era verão quando nos encontramos no bar.
- Ah, pode ser… eh eh… o que me conta de novo?

Enquanto isso os cidadãos observavam em silêncio enquanto bebiam café.

- Eu não conto nada… quero saber o que TU me conta? Como ficou o lance com aquela tua aplicação?
- Ahn… tá lá, tá indo…
- Como assim, tá indo?
- Tá lá, nem mexi no dinheiro…
- Giovanni, não me aplica. Tu perdeu dinheiro, né?

Nisso, com a cara vermelha e pegando fogo de vergonha, acabou cedendo à pressão:

- MAS TAMBÉM! AQUELES PALESTRANTES APOSTO QUE TRABALHAM PARA OS SIONISTAS!

Ao ouvir a palavra “sionistas” os dois cidadãos da mesa sorriram, bateram no peito e discretamente acenaram para o nada.

Silvério desistiu de perguntar de quanto havia sido o prejuízo.
Despediu-se e saiu sem sequer pedir café.

 

O 20 de Setembro e nosso valor como povo X Como NÃO proceder em Terra Brasilis

Noel Guarany, um mito.

 

Este é o tipo de texto que não deveria nem ser escrito Foda-se!

Sabemos que 8 em cada 10 pessoas são imbecis que pensam que são espertas. 1 é imbecil e tem consciência disso. A 1 restante não deve fazer parte do meu círculo de relações. Eu sou um imbecil e tenho consciência plena de tal. Pessoas que dizem que digo isso para ganhar elogio fazem parte do primeiro grupo.

Mas eu dizia que 8 em cada 10 pessoas são imbecis que se julgam espertas. E no Rio Grande do Sul não é diferente; Com o agravante de haver o êxtase megalomaníaco da exaltação do próprio gentílico. E é justamente aí que reside o grande problema.

Pois bem, tá chegando o 20 de Setembro, marco datal da maior revolução da história deste país. Brasileiros comuns não têm sequer condições de entender o que isso significa. Brasileiros mal conhecem a história do próprio estado ou do próprio umbigo.

Gaúchos comuns têm condições plenas e até uma certa obrigação de entender o significado desta data, mas preferem transformar a data numa Micareta de Bombacha.

Independente de motivações políticas canhestras e alguns eventos não muito bonitos (coisa que toda a guerra deflagrada tem) a data merece ser comemorada e respeitada, não pelo final em si, mas pelos 10 anos de briga que o povo comprou contra o que compreendia ser injusto (aqui não cabe o discurso de estudante deslumbrado do curso de História y Marijuana que descobre que tinha maçonaria envolvida, como se alguma coisa historicamente relevante no mundo não tivesse).

Mas o meu intuito com estas impressões é deixar uma lista de BOM PROCEDER ao riograndense RAMELA que ainda INSISTE em queimar o filme do estado.

 

Sente-se, coloque uma música do finado Noel Guarany e divirta-se:

1 – Sabe quando tu diz que os brasileiros nos odeiam porque sentem inveja por sermos mais (lista de falácias que tu costuma cometer): isso não é verdade. Isso é invenção da Globo e da tua cabeça doentia. Os brasileiros não sentem inveja. Eles admiram muitas coisas que temos. Eles têm curiosidade em saber como é a nossa vida e nossa visão de mundo. PORTANTO, SE TU CONSEGUIR NÃO AGIR COM UMA SOBERBA RIDÍCULA QUANDO ESTIVER NO BRASIL, VAI FACILITAR A SUA VIDA E A VIDA DOS OUTROS CONTERRÂNEOS.

2 – Tu até pode ter sido criado na fronteira, ou mais ou menos perto dela. Pode ter sido criado na serra gaúcha ou no vale dos sinos. Pode ter ouvido castelhanismos, germanismos, italianismos a vida inteira. Não tem problema e não é vergonha ter uma maneira própria de falar. As pessoas fora do estado entendem isso, porém, POR FAVOR, NÃO FORCE A AMIZADE. TU SABE FALAR PORTUGUÊS E, PELO AMOR DE DEUS, NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA FALE EM GAUCHÊS COM OUTRO RIOGRANDENSE IMBECIL QUANDO ESTIVER LONGE DE CASA. NADA É MAIS ODIOSO DO QUE ISSO.

3 – Tu fazes, tu levas, tu corres… FDP, TU NUNCA CONJUGOU A SEGUNDA  PESSOA DO JEITO FORMAL. NÃO COMECE A FAZER ISSO PORQUE NINGUÉM VAI TE ACHAR MAIS LETRADO, SÓ MAIS PEDANTE E IDIOTA.

4 – Tomara que DEUS te puna se tu disser que o Rio Grande do Sul é a Europa brasileira.

5  – Defender o separatismo numa conversa de bar, no Brasil, só é aceitável se tu estiver fazendo isso de trollagem e APENAS no meio de amigos próximos. Qualquer coisa diferente é motivo suficiente para a necessidade do convite à sua pessoa – pra qualquer coisa que seja – ser revista.

6 – Entrar num bar, em qualquer lugar pra cima de SC e pedir uma POLAR. Se tu fizer isso, sério, por várias razões que nem vou me dar ao trabalho de explicar, tá na hora da tua passagem por este plano que chamamos vida ser abreviada pelo Criador. Alguém tão imbecil não merece viver.

7 – Passar aquelas correntes de (ser gaúcho é…) aquelas listas de idiossincrasias regionais visando a masturbação do próprio gentílico/atitudes imbecis ou coisas que não são verdade ou  são verdades relativas) até é OK se tu passar isso para os teus colegas retardados de firma. E só. PAREM DE ENVERGONHAR AS PESSOAS LEGAIS QUE NASCERAM AQUI.

A lista segue, mas eu já estou irritado só de lembrar das inúmeras vezes em que vi – e acabei tendo a energia vital sugada por -  estas coisas.

ps: O Bairrista é a coisa mais genial dos últimos anos, justamente por pegar o PIOR do esteriótipo do riograndense e fazer as melhores piadas a respeito. PARE DE USAR A PIADA COMO EMBASAMENTO PRA PRÓPRIA DEMÊNCIA.

 

Abraços!

Caras com nomes de pássaros estão para treinadores de futebol como a cachaça está para a sobriedade

Paulo Roberto Falcão, maior ídolo do Galvão e SÓ!

Empresário caxiense proprietário de camioneta Mitsubischi L200 está para o sexo heterossexual como o cuadrado está para o círculo.

 

 

 

Mitsubishi L200 amarela AKA Travequeira. Êxtase de 3 entre 10 empresários caxienses que namoram travecos. NAMORAM COM A BUNDA, É CLARO!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.